Leonel Rocha - Correio Braziliense
Deputado Mário de Oliveira, acusado de tentar assassinar Carlos Willian, também está na mira. Convênio beneficiava Igreja do Evangelho Quadrangular
Uma investigação rotineira do Ministério Público Estadual de Minas Gerais nos convênios assinados desde 2001 entre a Prefeitura de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e organizações não-governamentais, resultou na descoberta de uma quadrilha especializada em desvio de dinheiro público, envolvendo os dirigentes da Igreja do Evangelho Quadrangular. A denúncia apresentada à Justiça pelos procuradores da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público acusa o ex-prefeito da cidade, o atual deputado estadual Ademir Lucas (PSDB), e o hoje deputado federal Mário de Oliveira (PSC-MG), dirigente nacional da igreja evangélica.
Segundo a denúncia, também estão envolvidos na organização criminosa o ex-secretário de Defesa Social de Contagem Jerônimo Onofre, dirigente da Quadrangular Tempo dos Anjos, e seu filho, Germano Aguiar da Silveira, vice-presidente da Escola de Ministério Jeová Jiré, a ONG que assinou convênio com a prefeitura. A organização recebeu R$ 420 mil da prefeitura para tratar alcoólatras e dependentes químicos. O tratamento durava apenas 15 dias e consistia exclusivamente em palestras e sessões de audições de músicas pelos doentes. Um organograma elaborado pelos três procuradores autores da denúnciam, obtido pelo Estado de Minas, mostra como agia o grupo que desviou R$ 1,1 milhão de recursos da prefeitura.
De acordo com a denúncia dos promotores, a ONG valia-se “de atos jurídicos simulados, operações bancárias e procurações para alcançar o intento criminoso. São políticos, religiosos, empresários, ou seja, pessoas acima de qualquer suspeita”. O tratamento ficou sob a responsabilidade da Rhema Alimentações Ltda. As investigações feitas pela Polícia Civil de Minas Gerais sob a coordenação dos promotores, demonstram que a empresa é ligada à Igreja do Evangelho Quadrangular e contratou faxineiros e trabalhadores sem qualificação para ministrar palestras aos jovens doentes e internados na Escola Jeová Jiré.
Os promotores também descobriram que a escola gastou R$ 300 mil em aluguel de um imóvel registrado em nome de Jerônimo Onofre que, ao mesmo tempo, era o secretário municipal que assinava os convênios para liberar os recursos públicos. Os promotores concluíram que as verbas saíram da prefeitura por ordem do então prefeito Ademir Lucas e do secretário Jerônimo, e foram parar na conta de ONGs e empresas ligadas à igreja dirigida por Oliveira. Pelas contas do MP, outros R$ 380 mil foram desviados para instituições, pessoas físicas e empresas ligadas à Quadrangular.
O caso surgiu depois que a Polícia Civil de São Paulo, ao investigar um assassinato, descobriu a tentativa de contratação de um matador de aluguel para assassinar o deputado Carlos Willian (PTC-MG), também ex-dirigente da Quadrangular e antigo assessor de Mário de Oliveira. Com o escândalo, o caso será remetido ao Supremo, já que os parlamentares envolvidos têm foro privilegiado em processos judiciais. Procurado pelo EM, Oliveira não retornou os telefonemas. No início da semana, ele classificou de “armação” a denúncia do colega Willian.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Companheiros, colegas, conterraneos e amigos.
Fiquem à vontade para comentar e/ou criticar.