EM - Tiago Pariz - Ivan Iunes
PMDB e PT duelam pelo Ministério da Saúde
Partidos travam batalha nos bastidores para conseguir emplacar o titular da pasta, considerada estratégica pela sociedade.
Secretário de Saúde na gestão de Fernando Pimentel na Prefeitura de Belo Horizonte, Helvécio Magalhães é o preferido dos petistas
A presidente eleita, Dilma Rousseff, está debruçada em cima de um xadrez para encontrar o nome que seja capaz de gerenciar o Ministério da Saúde e agradar a PT e PMDB. As duas legendas estão em disputa fratricida nos bastidores pelo protagonismo na área. Dois nomes figuram como cotados para assumir a pasta: o sanitarista Paulo Marchiori Buss e o secretário de Planejamento de Belo Horizonte, Helvécio Magalhães. Os dois já haviam sido cogitados para o cargo quando o ex-ministro Humberto Costa foi substituído por Saraiva Felipe e depois pelo atual, José Gomes Temporão.
O PT rejeita Buss por considerá-lo parte do mesmo grupo do peemedebista Temporão. A equipe de transição, no entanto, analisa o nome do sanitarista por ele se enquadrar em um dos perfis que Dilma quer para a pasta. Um nome reconhecido pela sociedade, com capacidade técnica posta à prova. Buss foi presidente da Fiocruz e atualmente é integrante do Comitê Executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS). O maior entrave para a nomeação dele é exatamente a rejeição petista. “O Paulo Buss sofrerá resistência violentíssima porque ele é uma versão piorada do Temporão”, afirmou um petista na condição de anonimato.
Na avaliação de integrantes do PT, é preciso um político com trânsito nos partidos para aumentar o financiamento da Saúde nos menores municípios do país. É nessa brecha encontrada pelo partido da presidente eleita que se encaixa o nome de Helvécio Magalhães, que foi secretário de Saúde na gestão de Fernando Pimentel (PT) na Prefeitura de Belo Horizonte. “Hoje, o problema da saúde não
vai se resolver só com um perfil técnico porque é preciso alguém com trânsito dentro dos partidos para levar dinheiro aos estados e municípios. É preciso alguém com capacidade de interação política”, afirmou um parlamentar do PT.
Vácuo
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tentou emplacar seu secretário de Saúde, Sergio Côrtes, o idealizador das Unidades de Pronto Atendimento (UPA), que Dilma usou como bandeira durante a campanha. O nome dele era, inclusive, o mais cotado para o cargo e contava com a simpatia da presidente eleita. Côrtes, porém, tem como passivo político o fato de seu ex-subsecretário Cesar Romero ter sido indiciado por fraude em licitação na aquisição de ambulâncias.
Com as denúncias, Côrtes rejeitou as sondagens e abriu-se um vácuo. O secretário de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, tentou preencher o espaço em branco. Manobrou para tentar ser indicado, recebeu respaldo do PT, mas a presidente eleita quer mantê-lo no cargo de menor expressão. Com isso, surgiu a ideia de enxugar a sanha política pela Saúde e colocar um nome puramente técnico. Buss, que foi um dos principais avalizadores da indicação de Temporão para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passou a circular pelos corredores da transição. O PT contra-atacou para enfraquecer a proposta e lembrou que o sanitarista militou no antigo PCB.
Neste sábado, os únicos nomes que constam da prancheta da transição são de Buss e Helvécio. Mas os petistas lembram que o posto poderia ser ocupado também por Fausto Pereira dos Santos, ex-diretor presidente da Agência Nacional de Saúde, e Jorge José Santos Pereira Solla, secretário de Saúde da Bahia.
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