EM - Juliana Cipriani
Parlamentares reivindicam poderes para indicar nomes no governo Dilma e ainda tentam impedir que PMDB migre para a base de sustentação de Anastasia na Assembleia
A distribuição dos cargos no governo da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) movimenta agora os deputados estaduais de Minas Gerais. Assim como os prefeitos petistas, que se reuniram nessa quinta-feira para marcar posição em relação às articulações de composição da futura administração, o bloco PT/PCdoB na Assembleia reivindica poderes para fazer indicações nos cargos federais. Com a movimentação, esperam mais ainda: incluir a bancada estadual do PMDB nas conversas e acabar de vez com a possibilidade de o partido migrar para a base de sustentação do governador reeleito Antonio Anastasia (PSDB).
A queixa é de todos os petistas e do PCdoB. Deputados estaduais só servem na hora de fazer campanha, na distribuição dos cargos são esquecidos. Com esse discurso, o líder do bloco, deputado estadual Padre João (PT), pediu uma reunião com o presidente nacional petista, José Eduardo Dutra, que virá a Belo Horizonte em 10 de dezembro para um seminário com as bancadas estadual, federal e o diretório do PT. Antes, no dia 9, foi pedida uma reunião com o presidente nacional do PMDB e vice-presidente eleito, deputado federal Michel Temer, no sentido de conseguir também a participação dos deputados estaduais peemedebistas nas composições.
A estratégia é para reaproximação com os parlamentares do PMDB, que até o início do processo eleitoral deste ano faziam bloco com PT e PCdoB. Agora, a bancada peemedebista avalia um possível alinhamento ao governo Anastasia, mas os petistas acreditam ser possível frear a debandada. “Não existe essa unanimidade entre eles (do PMDB), por isso essa perspectiva dessa reunião com o Temer pré-agendada, reivindicação dos próprios deputados do PMDB”, disse. Apesar de o líder do PMDB, deputado Vanderlei Miranda, ter descartado a formação de um novo bloco com os petistas, o deputado Padre João acredita que a união ainda seja possível. “Mesmo que não tenha um bloco podemos chegar a um entendimento, também é possível uma atuação conjunta das duas bancadas”, disse.
Os deputados estaduais reclamam que nos oito anos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram excluídos na distribuição dos espaços federais. “Os deputados estaduais não têm espaço porque quem está inserido no processo de votação em Brasília são os deputados federais. O estadual ficam mais envolvidos nas questões daqui. Vamos buscar uma relação mais estreita”, afirmou Padre João.
Já Carlin Moura (PCdoB) solta o verbo. “O deputado estadual só existe na hora de pedir votos, quando vão montar governo ou discutir alguma posição não é nem ouvido. Não somos vaquinha de presépio, a bancada estadual precisa ser repeitada”, afirmou . Nos cálculos de Carlin Moura, há cerca de 900 vagas entre primeiro, segundo e terceiro escalões em Minas.
Representantes dos 109 prefeitos do PT de Minas Gerais se encontraram na noite dessa quinta, em BH, para discutir uma forma de participar das negociações para composição do governo de Dilma. Os prefeitos pedem, em documento, que Dilma mantenha uma linha de gestão mais municipalista. Colocam a necessidade de levar adiante a reforma tributária, com a revisão da distribuição dos recursos contemplando mais os prefeitos e a regulamentação da emenda 29, que define os gastos para saúde.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Companheiros, colegas, conterraneos e amigos.
Fiquem à vontade para comentar e/ou criticar.