quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Começa a briga pela recuperação do campo de futebol "destruído pelo progresso"

DEFATO - JOSÉ SANA

Representantes do clube de futebol local apresentam documento que garante a reconstrução do espaço pelo DER; coordenador regional do órgão estadual, que se mostrava alheio ao problema, promete fazer "o possível" pela sua solução; parte da comunidade considera ainda pequena a parcela que seria dada pelo governo do Estado

São Sebastião do Rio Preto localiza-se a 60 quilômetros de Itabira, menos de uma hora de viagem e totalmente ligada à civilização por asfalto. São 127 km² de área territorial ocupados por 1.700 habitantes. Curiosamente, o progresso está inversamente proporcional às condições abertas para o desenvolvimento. Contradição? Que paradoxo quase inexplicável! Concluem muitos de seus habitantes que a terra de José Aparecido de Oliveira vem perdendo atrações, principalmente na área de lazer, nos últimos anos.

A questão, em discussão no momento, é a reconstrução do campo de futebol local, chamado oficialmente, por lei, Estádio Dr. João Rodrigues de Moura, destruído para passagem da obra de asfaltamento da cidade a Santo Antônio do Rio Abaixo, segunda etapa da empreitada que começa em Passabém, somando o total de 22 km de pavimentação asfáltica.

A colocação do asfalto para Santo Antônio já começou. O início é exatamente no campo de futebol. Por causa disso e, considerando que o principal responsável pela obra não tocou no assunto, o atual presidente do São Sebastião Futebol Clube, Gilmar Caldeira Duarte, também locutor esportivo da Rádio Itatiaia, começou a buscar uma solução para o problema.

Ele tem em mãos vários documentos, dentre os quais uma “Ata de Reunião” realizada em 4 de julho de 2008, na cidade, assinada por várias pessoas, dentre as quais Aldair José Gonçalves da Silva e Célio Almeida Silva, representantes do clube de futebol, e por Paulo Sérgio Resende do Carmo, engenheiro do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Reza o documento que o DER executará várias ações, embora não mencione o prazo de realização dessas intervenções.

POLÊMICAS E MAIS POLÊMICAS

A ata da reunião determina, em dois itens, as responsabilidades do clube da cidade e do DER. O SSFC ficou de fazer e já cumpriu uma etapa de sua parte: retirou a cerca, porteiras, traves, destruiu o vestiário e recolheu esse material; falta plantar grama, mas isso depende do cumprimento da outra responsabilidade.

Quanto ao DER, as suas responsabilidades, declaradas no documento são: a. Executar o aterro nas condições solicitadas no requerimento datado de 4 de julho (data da reunião); b. Deixar o plator do campo nivelado em cota acertada entre as partes envolvidas; c. (Fazer) Drenagem superficial para retirada das águas pluviais do plator do campo; d. (Plantar) A vegetação das saias dos aterros consquentes do alteamento do plator do campo de futebol.

Apesar de claros os objetivos, há alguns equívocos que precisam ser esclarecidos. Primeiro, a responsabilidade pelas obras de reconstrução são do DER, apesar de menção, na ata, que a empreiteira Pavimax Construções Ltda. seria a executora da responsabilidade do órgão do governo. Ocorreu o afastamento da Pavimax da obra e a entrada da nova empresa, Contek Engenharia, que se mostra alheia ao problema, embora estampado aos olhos de todos.

A reportagem falou com o engenheiro Maurício Torres Sampaio, representante da Contek Engenharia, que repetiu estar fora dos acertos. Em seguida, com o coordenador do DER, região de Itabira, engenheiro Álvaro Eduardo Goulart que, a princípio também se mostrou desconhecedor da questão, mas que, no final dos esclarecimentos, garantiu: “O DER fará o possível para resolver o problema”.

DeFato Online falou, também com o engenheiro Caetano Magalhães Barros, responsável pela fiscalização da obra e, nome do órgão estadual. Ele garantiu que iniciaria, no dia seguinte (hoje, 24 de fevereiro), os entendimentos para cumprir os compromissos do DER.

Apesar de tudo, o novo presidente do São Sebastião Futebol Clube, Gilmar Caldeira, se mostra revoltado. Ele visitou a redação de DeFato Online e apresentou os documentos que tem em mãos, apesar de entender que os compromissos assumidos pelo órgão do Estado são pequenos e que, de acordo com ele, geraram e ainda rendem polêmicas na cidade. Gilmar afirmou que ele próprio não assinou a ata da reunião e ainda citou vários nomes que assinaram, foram combatidos e se arrependeram.

“Nem mesmo fazendo pouco, o DER ainda se mostra desinteressado de resolver o problema”, alfineta Gilmar Caldeira. “É uma vergonha para nós da comunidade aceitarmos o que está acontecendo. Estamos chegando a quase três anos sem campo de futebol, palco de uma das principais atividades de lazer na cidade. Três anos sem futebol, a equipe jogando em outras cidades, equipe que todos conhecem, tradicional e importante para a região”, acrescenta.

ESTÁDIO JOÃO RODRIGUES DE MOURA

Dois times de futebol enfeitam as páginas históricas de São Sebastião do Rio Preto: o Íris Futebol Clube e o São Sebastião Futebol Clube, ambos de longa vida, embora existisse um de cada vez. Para fortalecer a existência de pelo menos uma equipe forte, os ausentes, que residiam na capital, organizaram o Folgamba, que cumpria presença certa nas festas locais e agitavam o animado arraial, emancipado em 30 de dezembro de 1962.

João Rodrigues de Moura, engenheiro agrônomo, nascido em São Sebastião do Rio Preto (1906) e falecido em Guanhães em 1968, era um entusiasta sebastianense de primeira linha. Apaixonado pelo futebol, comandou, durante muito tempo, a equipe que se tornou, nas décadas de 1950 a 1980, praticamente imbatível em seus domínios.

Ao se emancipar o município, as autoridades cuidaram de oficializar o nome do benfeitor João Moura como referência do campo de futebol. Durante muitos anos, mesmo precário, foi o centro das atenções da região, persistindo até novembro de 2007. Nessa época, a Pavimax , em nome do DER, ou governo do Estado, destruiu tudo e, logo a seguir, foi alijada da obra, deixando outros prejuízos aos moradores da cidade.

UMA SAÍDA HONROSA

DeFato Online juntou todas as opiniões: a Contek não tem responsabilidade, ou não participou das discussões, pois ainda não tinha assumido a obra — neste caso, houve omissão do DER, que poderia ter discutido a pendência que é importante para a cidade; o DER, embora reconheça e se disponha a resolver o problema, estava deixando o tempo passar, segundo Gilmar Caldeira, “pensando que a comunidade estivesse morta”; a comunidade ainda se mostra dividida porque muitos afirmam que “as responsabilidades do governo do Estado são pequenas demais”.

Qual a solução? A Contek, além do asfaltamento que assumiu como empreitada, afirma agora que fará uma nova ponte na rua Conceição do Mato Dentro, saída da cidade e executará 150 metros de calçamento na mesma rua até a ponte do rio Preto. Essa ponte, do rio, não será mais duplicada, como se previu, segundo Maurício Sampaio.

Mas e a solução para o campo de futebol? Aumentar as responsabilidades do DER, com a entrada da Contek Engenharia para ajudar a resolver a questão. Essa uma sugestão. Gilmar Caldeira continua inconformado: “Afinal de contas, são quase três anos sem campo de futebol, destruíram obras que construímos e nos negam ninharia?”

Assim fica pendente um problema que aflige uma pequena cidade mineira, localizada bem próxima da capital. Será que o progresso acaba com ele próprio? Ou melhor mesmo, cadê os deputados que periodicamente chegam à cidade para pedir votos? O problema grave está aí, mas na hora de solução todos somem?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Companheiros, colegas, conterraneos e amigos.
Fiquem à vontade para comentar e/ou criticar.