O TEMPO - JOÃO GUALBERTO JR.
Pesquisa revela que a maior parte dos eleitores é contrária a mudanças na legislação
Um em cada quarto entrevistados diz ser contra a interrupção da gestação
Em meio à discussão de assuntos polêmicos que domina a disputa presidencial no segundo turno, o eleitor mineiro tomou uma posição clara: a legislação vigente e o atual aparato do setor público para dar conta das situações ligadas a esses temas devem ser mantidos.
Além de apurar as intenções de voto para Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) no Estado, a primeira pesquisa realizada pelo instituto DataTempo/CP2 na nova etapa da eleição também questionou o eleitorado sobre o posicionamento em relação ao aborto e o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. A maioria dos entrevistados se mostrou contra mudanças no aparato legal sobre os dois temas.
Segundo o levantamento, quase a metade dos pesquisados, exatamente 48,69%, declarou ser favorável à permissão do aborto apenas nos casos em que a gestação seja consequência de estupro ou que coloque em risco a vida da mãe, o chamado aborto necessário. Essas são justamente as condições estabelecidas pelo artigo 128 do Código Penal. Apenas nessas situações a prática não deve ser punida no Brasil.
Outro grupo, formado por 26,80%, é mais radical e entende que o aborto deva ser proibido em qualquer caso. Apenas 7,5% defendem que a interrupção da gestação passe a ser permitida, entendendo ser um direito da mulher escolher se deseja ter o bebê.
Casamento. Em relação à união civil entre homossexuais, o eleitor mineiro também defende a manutenção das regras em vigor. Para 59,15% dos entrevistados, as leis brasileiras não devem ser alteradas para permitir o casamento, ao contrário do que já ocorreu, por exemplo, na Argentina. Outros 35,55%, no entanto, defendem que a legislação seja alterada para possibilitar a união civil gay.
O Código Civil, em seu artigo 1.723, reconhece como entidade familiar a "união estável entre o homem e a mulher (...) estabelecida com o objetivo de constituição de família".
Dados técnicos
DataTempo/CP2. Foram entrevistadas 2.062 pessoas em todo o Estado entre 16 e 19 de outubro. A margem de erro é de 2,16 pontos para mais ou para menos. O número de registro no TRE-MG é 36364/2010.
Avaliação
Saúde, desemprego e violência são os piores problemas
A pesquisa DataTempo/CP2 também pediu ao eleitor para que dissesse qual é o principal problema brasileiro. Cada entrevistado respondeu três vezes, isto é, expôs três situações, que, segundo ele, são as mais graves do país. O descontentamento com a saúde ficou evidente na sondagem, já que 65,31% citaram o atendimento seja pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou pelos planos , em primeiro lugar, como a fonte dos piores problemas.
Também foram mencionados no primeiro cenário a violência, associada ao tráfico e ao consumo de drogas, por 9,99%, o desemprego, lembrado por 7,93%, e a situação da educação básica, nos ensinos fundamental e médio, citada por 7,26%.
Essas quatro áreas praticamente se repetiram, mas com outro ordenamento, nos cenários seguintes, formados pelas segunda e terceira respostas. Como segunda opção, o problema citado por mais mineiros foi o desemprego, com 21,36% das menções, seguido de perto pelas deficiências no sistema de educação (20,50%) e pela violência (19,45%).
Como terceiro problema mais grave do país, o mais lembrado é a área da segurança, segundo 29,14%. Outros 19,73% disseram que é o desemprego. Nesse quadro, a falta de moradias para a população recebeu a indicação de 14,05%. (JGJ)
Esquecidas
Posição. Outras situações exploradas nesta campanha não preocupa tanto os mineiros. Apenas 0,10% disse que o problema mais grave do país é a corrupção e 0,05% citou a desigualdade.
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